sexta-feira, 25 de maio de 2012

Nota mental: a vida é boa.

Milton Nascimento errou ao atribuir a estranha mania de ter fé na vida somente à população de Marias. Ok, verdade seja dita, essa população não é exatamente igual à de uma cidade de 8 mil habitantes, é bem maior que isso. Mas eu tenho aquele nome difícil (odiava soletrá-lo quando criança) e, no entanto, costumo acreditar na vida, ainda que ela pareça estar de sacanagem comigo ultimamente. Ah, mas este texto não pretende ser uma reivindicação, nem à vida, muito menos ao Milton Nascimento e sua segregação. Era só pra contar que eu tenho outras manias estranhas além dessa – que já é suficientemente complexa.

Gosto de observar como as pessoas se esforçam pra lembrar que a felicidade existe em pequenas coisas do dia a dia, algumas mais bizarras, outras menos. Amelie Poulain tinha um prazer quase sexual em mergulhar as mãos num saco de grãos. Fora do cinema, uma amiga minha comemora cada endoscopia que tem que fazer como se fosse um gol de handebol nos jogos escolares – porque a anestesia lhe dá “barato”. Adolescentes se divertem tirando fotos em frente ao espelho quando vão provar roupas em lojas. Avós perfumam a casa com o que colocam no forno para os netos. E netos não reclamam nem um pouco dos biscoitos perfumados das avós. É, a vida deve ser boa, seja você estranho ou normal.

 Meu modus operandi nem sempre é convencional, como o da minha amiga. “Diga-me com quem andas e eu te direi se vou junto”, já dizia alguma montagem tosca do Facebook. Apesar de ser regida por um signo de Terra, tenho uma cabeça meio ficcional (adoro justificar qualidades e defeitos com a astrologia). Então, não raro, lá estou eu fazendo trilhas sonoras para tudo. Acordar, tomar banho, me sentir num universo paralelo, andar na esteira, sofrer, fazer faxina (sofrer e fazer faxina estão praticamente no mesmo saco, o que difere é a trilha sonora), cozinhar, sexo... (ok, pai, não sou mais virgem há algum tempo, sei que é difícil encarar esta realidade)

Mas outros pequenos detalhes também me fazem lembrar de como a vida é cool – e de como eu posso ser estranha. Por exemplo: deixo bilhetes de metrôs que peguei durante as viagens que fiz ao exterior espalhados, mas à mão. Assim, naquele momento em que estou procurando a minha carteira dentro daquela bolsa gigantesca, encontro, “sem querer”, um pedaço da minha viagem à Paris em 2007 e sorrio. Ou então, no meio do porta-lápis, tem um bilhete do trem de Berlim, usado no último mês de abril. Aquele chiclete velho, que foi comprado no México no ano passado, ainda está no compartimento extra da bolsa que uso aos fins de semana (é meio nojento, te dou razão). O fato é que gosto de espalhar truques que vão me lembrar que o mundo é maior que o meu mundo. E dizem que uma viagem nunca acaba. É bem verdade!

Hey, agora mesmo, estou exercendo minha mania estranha número 4 (ou 3, não sou boa de conta): escrever no meu tempo livre, sendo que este é o meu trabalho, é o que eu faço o dia todo. E ao me dar conta disso, vou terminar este texto por aqui, com a estranha mania de fazer as coisas parecerem ficar pela metade. Talvez por apego ou medo do fim. Afinal, como digo em um poema meu, meu ponto final são reticências...

Coleção móvel

terça-feira, 22 de maio de 2012

Bowie no cinema

No próximo fim de semana (e durante a semana toda), a Cultura Inglesa vai exibir filmes com -- e sobre -- o David Bowie de graça (que graça!). Se você é fã, como eu, check it out!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Tempos modernos

Um coração acelerado
e uma conversa sem passagem
são feitos de uma questão banal
ao final de cada mensagem.



quarta-feira, 16 de maio de 2012

Fim da linha

Estou quase decidindo
Se o meu mundo se tornou
Restritamente ou extremamente
Ordinário para mim
Ou se me tornei altamente prepotente
Ou mecanicamente tolerante
Para viver assim.

Quando resolver, eu te falo.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Um dia, deitado no meu sofá, ouvindo Life On Mars, ele me disse: "Essa música... tenho certeza de quando você a ouve, pensa 'eu queria ter escrito isso, porra!'". Porra, eu queria mesmo. "But the film is a saddening bore 'Cause I wrote it ten times or more It's about to be writ again..."

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Aos pés de Pina

Sensível, forte, envolvente... "Pina" é muito mais que uma homenagem à dançarina e coreógrafa alemã Pina Bausch. É uma verdadeira ode à dança. Pina Bausch é conhecida por ter criado coreografias que contam histórias, na maioria das vezes, baseadas na vida de seus bailarinos. Morreu de câncer aos 69 anos, muito rapidamente, segundo o depoimento de uma de suas alunas. Engraçado, eu gosto tanto de música, mas não sou tão ligada a espetáculos de dança. E fiquei com muita vontade de ver mais e mais... "Pina" transborda sensibilidade. Uma poesia concreta feita com o corpo. Vale a pena assistir e, claro, ouvir a trilha sonora, que é uma viagem...

domingo, 25 de março de 2012

over and over and over

E chega o momento em que você conclui que a vida é feita de ciclos absolutamente iguais, previsíveis, com personagens que só trocam de nome. O que resta é entrar na roda e deixar a inércia se encarregar do resto.

Não parece muito otimista este post. De fato, não é. Apenas o meu limite deu o ar da graça.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Guernica

Para ser inteira
Basta juntas os pedaços
Os braços
As guerras
As caras
Aceitar as mulheres raras
Dentro de você

E faça Pablo Picasso feliz.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Ensina-me a viver...

Queria aprender tantas coisas nesta vida...

* a fazer patchwork sem parecer um monte de trapo remendado.
* a falar alemão sem parecer o Cafú lendo em português na Copa de 2006.
* a fazer tricô.
* a tocar violão.
* a ter mais paciência.
* a escrever hai kai em menos de uma semana. (ô, coisa difícil)
* a não ser desorganizada com as minhas contas.
* a mandar "se foder" quando necessário.
* a fazer acabamento perfeito nas minhas peças de artesanato.
* a amassar latinha de cerveja na testa. (deixa eu, tá?)
* a trocar pneu.
* a não acreditar tanto em horóscopo.
* a gostar de The Who.
* a surfar.
* a me apaixonar de novo. E de verdade, sem essa de "o nosso amor a gente inventa pra se distrair".
* a esquecer quem deve cair no esquecimento.

Aprendo um dia?

sexta-feira, 2 de março de 2012

A sua novela ainda está no ar...

- Você não anda muito bem, né?
- Quem não anda muito bem é o Wagner Montes. Eu tô ótima!

É incrível a capacidade que a gente tem de se recuperar. Como se fôssemos feitos da mesma matéria que o rabo da lagartixa (se você não sabe, o rabo da lagartixa volta a crescer se ela o perde). Quando você acha que não tem força nem para levantar da cama, quando até a água potável deixa seu estômago em estado de sítio, quando suas unhas gritam por socorro... algo chamado amor próprio pega você pela mão. "Vem, a vida não é tão legal, eu sei. Mas ela também não é tão terrível quanto parece". Aí você resolve mergulhar dentro de si, das suas frustrações, e volta para a superfície, só pra respirar, só pra variar.

Tudo aquilo que doía mais que corte feito com folha A4 recém-tirada do pacote passa a doer menos. E você percebe que, ops!, não é que a vida lá fora existe mesmo e o mundo não parou enquanto você se lamentava? Porra, que notícia boa! As pessoas continuam a sorrir, a cantar mal, a falar sozinhas no trânsito, a tirar pelo encravado da perna, a espremer espinhas. Tudo continuou exatamente do jeito que você deixou no momento que tomou aquele baque.

E os seus prazeres ordinários voltam aos poucos. Aquele brigadeiro no meio da tarde, a sua mania irritante de estalar todos os dedos de uma vez só, a paquerinha pela internet, a novela das oito ainda não acabou. E a sua novela ainda está no ar.

É, a vida sempre segue. E isso não foi escrito com tom de melancolia. As cicatrizes ficam, as dores passam, as alegrias chegam. Tudo de novo, como já aconteceu milhares de vezes. E você, sempre aguardando as cenas dos próximos capítulos...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

There is a light that never goes out (ou "Por que amo Morrissey")

"Morrissey é deprê pra caralho!" Já ouvi isso de um amigo que torcia o nariz para o eterno vocalista dos Smiths. Ok, não vou tirar a razão dele. Morrissey realmente é uma companhia e tanto praqueles dias em que você tá querendo a misericórdia de Deus ou seja lá de quem. Aqueles dias em que você sente aquela pena própria. Já chorei muito ouvindo "Please, Please, Please, Let me Get What I Want", querendo fazer daquelas palavras as minhas. Uma dor profunda. Morrissey sabia o que eu estava sentindo? Ou o que eu senti naquele momento era universal? Whatever.

Aí eu penso que ele só reforça a ideia de que a tristeza, como digo em um poema meu, "inspira, pira, pira, pira..." Compor o que quer que seja (música, poesia) com aquela dose extra de melancolia é muito mais garantia de sucesso. A tristeza é o "cheddar com bacon" da música e da poesia: dá mais graça, peso e consistência à obra.

Não que poesia feliz não seja boa. Não que você não possa sorrir e ser feliz com música alto astral. Mas fale a verdade: felicidade não causa uma certa dispersão? Como amante de música e poesia (e pessoa que lida com palavras full time), posso dizer que o teor e conteúdo da alegria, apesar de ótimos, dão aquela sensação de carnaval em looping. Versos tristes são eternos.

Olha, não to fazendo apologia à tristeza, longe de mim. Até porque, eu me considero bem humorada e feliz na maior parte do tempo. Mas no meu caso, a tristeza sempre serviu pra fazer poesias que cortam meu coração (não sei dizer sobre o coração dos outros). Mas este post só está aqui pra dizer, afinal, por que Morrissey mexe tanto comigo e com uma multidão de fãs que entendem a profundidade dos sentimentos. Ele é um dos poetas (sim, o considero um poeta) de que mais gosto. E está chegando. Estou realmente ansiosa por este momento. :D

Obrigada por traduzir meus acessos de raiva e minhas deprês mais profundas, Morrissey. E mesmo com o peso das palavras, voz e acordes, sempre me deu muita esperança. See you later.

Sonoridades

Uma dúvida no ciberespaço:
Não sei se faço ele sorrir
Ou se ele sorri fácil.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Utilidade pública e privada

Da série "diálogos que eu nunca devo me esquecer":

- Veri, me promete uma coisa?
- Depende.
- Nunca deixa de ser você mesma?
- E se não gostarem de mim assim, do jeito que eu sou?
- Se não gostarem, então foda-se.
- É.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

there she goes again

Talvez algumas coisas não façam muito sentido para o resto do mundo. E talvez o mundo não esteja errado mesmo. Mas se pra você algo ainda tem sentido, nem que seja momentaneamente... Qual é o problema? Sem julgamento. É por isso que eu luto diariamente. :)





Hello my love
It's getting cold on this island
I'm sad alone
I'm so sad on my own
The truth is
We were much too young
Now I'm looking for you
Or anyone like you

We said goodbye
With the smile on our faces
Now you're alone
You're so sad on your own
The truth is
We run out of time
Now you're looking for me
Or anyone like me

Hello my love
It's getting cold on this island
I'm sad alone
I'm so sad on my own
The truth is
We were much too young
Now I'm looking for you
Or anyone like you

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Post-it (para lembrar, com amor)

Caráter.
Uns mais.
Outros menos.
Alguns, nenhum.




E como dizia Leminski (de novo), "só lamente uma vez".

Ando meio...

Leminski e sua arte de traduzir sentimentos.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O que 2011 me ensinou:

1. Ame do seu jeito, não importa o resultado.
2. A vida pode mudar a cada segundo.
3. Misturar Absolut Vanilla com Champanhe quente não dá certo.
4. Vale a pena dar segunda, terceira, quarta chance às pessoas importantes da sua vida.
5. Amigos são presentes de Deus.
6. Eu sou mais humana e (infinitamente) menos perfeita do que pensava. Graças a Deus.
7. Meu shimeji é o mais delicioso do mundo. Sério.
8. Aceitar todos os sentimentos que surgirem é a melhor coisa que existe (tanto os bons, quanto os ruins).
9. Dexter vicia.
10. Ruffles + cerveja = ótimo jantar (é o que tinha pra hoje).
11. Me perdoar pelos erros passados é realmente uma escolha, como um leitor do blog uma vez me falou. E eu fiz a melhor escolha :)

Talvez eu não poste nada mais em 2011. Mas não garanto. Pelo sim, pelo não, um ótimo 2012 pra mim e pra você. A gente merece paz.

Beijos

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Da arte de se viciar em bandas australianas

Cada vez mais, estou convencida de que australianos são foda! Depois de Boy and Bear e The Living End, bandas que eu tenho ouvido muito, hoje eu conheci a dupla Angus & Julia Stone, dois irmãos que mandaram muito bem aos meus ouvidos... Eles fizeram o tema do filme Românticos Anônimos (um filme francês que é uma graaaaaaaaça). Aí eu viciei, né? Não to ouvindo outra coisa. É muito, muito amor. <3




quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Tom Waits... Oh, wait!

Aí eu finalmente baixo Bad As Me, o novo álbum do Tom Waits. E não é que o velhinho tá mais foda e poético do que nunca? Até deixei Bowie, Stones e Foo Fighters de lado por estes dias. E quer outro motivo pra ouvir? Participações lindas, como a do Keith Richards (a parceria já é antiga e conhecida) e Flea.

Kiss Me




The fire’s dying out
All the embers have been spent
Outside on the street
Lovers hide in the shadows
You look at me
I look at you
There’s only one thing
I want you to do

Kiss me
I want you to kiss me
Like a stranger once again
Kiss me like a stranger once again
I want to believe that our love’s a mystery
I want to believe that our love’s a sin
I want you to kiss me like a stranger once again

You wear the same kind of perfume
You wore when we met
I suppose there’s something comforting in knowing what to expect
But when you brushed up against me
Before I knew your name
Everything was thrilling
Because nothing was the same

I want you to kiss me
I want you to kiss me
Like a stranger once again
Kiss me like a stranger once again

I want to believe our loves a mystery
I want to believe our loves a sin
Oh will you kiss me like a stranger once again
I want you to kiss me like a stranger
Kiss me like a stranger once again

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011